Os geoglifos gigantes descobertos no Acre que só podem ser vistos do alto e revelam cidades perdidas na mata

Por: Leonardo Nunes –28/08/2026 – 16:15

Estruturas gigantescas escondidas pela vegetação revelam uma dimensão pouco conhecida das sociedades que ocuparam a floresta.

Vistos do chão, podem parecer apenas valas e elevações escondidas pela vegetação. Do alto, porém, os geoglifos do Acre formam círculos, quadrados e outras figuras geométricas gigantescas. Novas pesquisas mostram que essas marcas são parte de uma paisagem amazônica construída por sociedades pré-coloniais muito mais complexas e numerosas do que durante muito tempo se imaginou.

O que a ciência descobriu sobre os geoglifos do Acre

Os geoglifos do Acre são estruturas escavadas no solo, formadas principalmente por valas e muretas. Algumas assumem formatos circulares, quadrados ou polígonos e podem alcançar centenas de metros. O Iphan registra essas construções como um dos conjuntos arqueológicos mais raros da região amazônica.

Um novo levantamento publicado na revista Nature usou LiDAR, uma tecnologia que dispara pulsos de laser para produzir modelos tridimensionais do terreno. O método permite identificar alterações na superfície mesmo quando a floresta dificulta a observação por imagens convencionais. O levantamento encontrou 432 estruturas em áreas do Acre e do Amazonas, das quais apenas 36 eram conhecidas anteriormente.

Estruturas circulares e quadrangulares mostram a dimensão das intervenções feitas por sociedades pré-coloniais na paisagem – Créditos: Imagem Ilustrativa

Como os gigantescos desenhos aparecem em meio à floresta

O segredo está justamente em olhar para a paisagem de outra maneira. O LiDAR consegue registrar o relevo abaixo da cobertura vegetal, revelando valas, aterros, plataformas e outras formas que podem desaparecer completamente quando observadas a partir do solo.

Alguns geoglifos do Acre apresentam combinações geométricas tão regulares que parecem ter sido desenhadas em uma escala gigantesca. Construir e manter essas estruturas exigia trabalho coletivo, planejamento, conhecimento do terreno e organização social.

Os geoglifos revelam cidades perdidas na mata?

A resposta precisa de uma pequena correção na ideia de “cidades perdidas”. Os pesquisadores não afirmam que os geoglifos sejam cidades permanentes soterradas pela floresta. Muitos parecem ter funcionado como centros públicos, cerimoniais e políticos, onde grupos diferentes poderiam se reunir para atividades coletivas.

Ao redor de alguns desses centros existiam outros tipos de assentamentos. A paisagem, portanto, pode ter formado uma rede de comunidades e espaços de reunião. Essa organização ajuda a explicar por que a floresta atual não deve ser confundida com uma paisagem que sempre esteve praticamente intocada.

Os dados mais recentes estão detalhados no estudo publicado na revista Nature sobre mais de 20 mil estruturas pré-coloniais na Amazônia, que usa levantamentos aéreos e LiDAR para ampliar o conhecimento sobre essas paisagens arqueológicas.

Por que essa descoberta importa para você

Os geoglifos do Acre mudam uma imagem bastante comum da Amazônia pré-colonial. Durante muito tempo, grandes populações foram associadas principalmente às planícies de inundação. As estruturas de terra mostram que áreas de terra firme também podiam sustentar sociedades organizadas, capazes de transformar a paisagem em grande escala.

A descoberta também ajuda a entender que floresta e presença humana não são necessariamente opostos. Os antigos habitantes modificaram o ambiente, construíram monumentos e mantiveram centros coletivos, mas essas marcas podem ter ficado escondidas durante séculos sob a vegetação que voltou a crescer.

O uso de tecnologia LiDAR permite identificar formas arqueológicas escondidas sob a cobertura vegetal da Amazônia – Créditos: Imagem Ilustrativa

O que mais a ciência está investigando sobre os geoglifos do Acre

Uma das grandes questões agora é reconstruir com mais precisão a organização da chamada civilização Aquiry, incluindo sua distribuição territorial, cronologia e relação entre diferentes tipos de assentamento. Os novos dados indicam que a construção de estruturas monumentais na região começou há mais de 2.500 anos e que algumas tradições arquitetônicas permaneceram por muitos séculos.

No fim, os desenhos gigantes do Acre não são apenas curiosidades visíveis do alto. Eles são pistas arqueológicas de uma Amazônia antiga, planejada e socialmente complexa. E quanto mais a tecnologia consegue enxergar através da floresta, mais essa história escondida começa a aparecer.

Fonte: https://midiamax.com.br/trends/2026/08/28/os-geoglifos-gigantes-descobertos-no-acre-que-so-podem-ser-vistos-do-alto-e-revelam-cidades-perdidas-na-mata/?srsltid=AfmBOorhFW8r62Qlm734_r7CpSbmXUX0pE7KgyuQt4_dY6dt7socCaWE

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